Você já se olhou no espelho e sentiu que, de alguma forma, ainda não era suficiente?
Talvez não tenha sido exatamente o espelho.
Talvez tenha sido aquela voz dentro de você dizendo que poderia estar mais bonita, mais magra, mais interessante, mais inteligente, mais produtiva. Que poderia ter feito melhor. Que outra pessoa parece estar vivendo uma vida muito mais interessante que a sua.
E, quando essa voz se torna frequente, pode chegar um momento em que você nem percebe mais o quanto está sendo dura consigo mesma.
A autoestima não está relacionada apenas à forma como você enxerga sua aparência. Ela também aparece na maneira como você lida com seus erros, recebe elogios, estabelece limites, enfrenta críticas, escolhe suas relações e reconhece as próprias necessidades.
Por isso, quando a relação consigo mesma começa a ser marcada por cobrança, comparação e pela sensação de nunca ser boa o bastante, a terapia pode ser um espaço importante para entender o que está acontecendo e construir uma relação diferente consigo mesma.
O que é autoestima?
De forma simples, autoestima é a maneira como você se percebe e se relaciona consigo mesma.
Isso não significa gostar de tudo em si o tempo inteiro ou se sentir confiante em todas as situações. Ter uma relação saudável consigo mesma não significa nunca se sentir insegura, nunca errar ou nunca ter dias em que você não gosta muito do que vê no espelho.
A diferença está, muitas vezes, na forma como você se trata quando isso acontece.
Quando a autoestima está fragilizada, um erro pode rapidamente se transformar em uma conclusão sobre quem você é.
“Eu errei” pode virar “eu sou incapaz”.
“Ela não gostou de mim” pode virar “ninguém gosta de mim”.
“Eu não consegui dessa vez” pode virar “eu nunca consigo fazer nada direito”.
Percebe a diferença?
O problema não está apenas no que aconteceu, mas no significado que você passa a dar àquilo e na maneira como transforma uma experiência específica em uma definição sobre si mesma.
Por isso, trabalhar a autoestima não significa simplesmente aprender a pensar positivo.
Significa compreender de onde vêm essas interpretações, questionar padrões que foram construídos ao longo da vida e desenvolver uma relação consigo mesma que seja menos marcada pela cobrança e pela autocrítica.
Por que a autoestima pode ficar fragilizada?
A forma como você se enxerga não surgiu do nada.
Ela vai sendo construída a partir das experiências que você viveu e das relações que estabeleceu ao longo da vida.
Comentários frequentes sobre sua aparência, comparações dentro da família, críticas constantes, experiências de rejeição, relacionamentos em que você foi desvalorizada, cobranças excessivas e situações em que você aprendeu que precisava agradar para ser aceita podem influenciar a maneira como passa a perceber a si mesma.
E nem sempre existe um acontecimento específico que explique tudo.
Às vezes, é o resultado de muitos anos tentando corresponder às expectativas dos outros, colocando suas necessidades em segundo plano e aprendendo a prestar muito mais atenção naquilo que falta do que naquilo que já existe.
Você pode ter se tornado uma pessoa competente, independente e responsável, mas continuar se sentindo insegura por dentro.
Pode receber um elogio e imediatamente pensar que a pessoa está exagerando.
Pode conquistar algo importante e, em vez de aproveitar, começar a pensar no que ainda falta.
Pode olhar para uma foto sua e enxergar primeiro aquilo que gostaria de mudar.
Pode fazer muitas coisas bem e, ainda assim, lembrar por horas daquela única coisa que não saiu como você queria.
E talvez seja justamente isso que mais confunda: por fora, parece que está tudo bem. Por dentro, você continua se sentindo insuficiente.
Esses padrões podem continuar na vida adulta mesmo quando o contexto já mudou.
Isso não significa que exista algo errado com você.
Significa que algumas formas de se relacionar consigo mesma foram aprendidas ao longo do tempo — e aquilo que foi aprendido também pode ser revisto.
Quando procurar uma psicóloga para autoestima?
Você não precisa esperar chegar ao limite para procurar ajuda psicológica.
A terapia também pode ser procurada quando você percebe que alguns padrões estão se repetindo e causando sofrimento, mesmo que, por fora, sua vida pareça estar funcionando normalmente.
Talvez você se reconheça em algumas destas situações:
- dificuldade para reconhecer suas próprias qualidades;
- necessidade constante de aprovação;
- comparação frequente com outras pessoas;
- medo intenso de errar ou decepcionar alguém;
- dificuldade para receber elogios;
- autocrítica excessiva;
- dificuldade para estabelecer limites;
- tendência a se colocar sempre em segundo lugar;
- sensação frequente de não ser boa o bastante;
- dificuldade de se posicionar por medo da rejeição;
- relacionamentos em que você acaba aceitando mais do que gostaria;
- cobrança excessiva quando algo não sai como planejado.
Você não precisa se identificar com todos esses sinais.
A questão é perceber o quanto essa forma de se enxergar está interferindo na sua vida.
Porque, às vezes, a baixa autoestima não aparece como uma frase óbvia do tipo “eu não gosto de mim”.
Ela aparece quando você não consegue dizer não.
Quando sente culpa por descansar.
Quando precisa ouvir de alguém que fez um bom trabalho antes de conseguir acreditar nisso.
Quando se compara o tempo inteiro.
Quando aceita menos do que gostaria em uma relação porque, no fundo, acredita que talvez não encontre algo melhor.
Ou quando passa tanto tempo tentando provar o próprio valor que já nem sabe mais como seria simplesmente se sentir suficiente.
Nesses casos, a terapia pode ajudar a compreender o que está por trás desses padrões.
O que acontece na terapia para autoestima?
A terapia não consiste em alguém dizer que você precisa “se amar mais”.
Também não se resume a repetir frases positivas diante do espelho.
O trabalho começa, muitas vezes, pela compreensão da sua história.
Como você aprendeu a enxergar a si mesma?
Quando começou a acreditar que precisava ser perfeita para ser valorizada?
O que acontece dentro de você quando comete um erro?
Por que dizer “não” desperta tanta culpa?
Por que, mesmo quando as pessoas reconhecem suas qualidades, você ainda sente que precisa provar o seu valor?
Essas perguntas ajudam a identificar crenças, padrões de pensamento e comportamentos que podem estar sustentando uma relação difícil consigo mesma.
A partir daí, o processo terapêutico pode ajudar você a desenvolver outras formas de interpretar suas experiências, lidar com a autocrítica, reconhecer suas necessidades e construir relações mais coerentes com aquilo que deseja para a própria vida.
Isso não significa apagar o passado ou fingir que determinadas experiências não aconteceram.
Significa compreender o que aconteceu, perceber como essas experiências continuam aparecendo no presente e construir novas possibilidades a partir disso.
A terapia não transforma você em alguém que nunca duvida de si mesma.
Ela pode ajudar você a não transformar cada dúvida em uma prova de que existe algo errado com você.
Autoestima e autocompaixão: qual é a diferença?
Quando falamos em autoestima, é comum pensar em valorização pessoal.
Mas existe outro conceito importante nesse processo: a autocompaixão.
Ela está relacionada à maneira como você se trata quando está sofrendo, quando erra ou quando as coisas não saem como esperava.
Pense na diferença entre estas duas situações:
Você comete um erro e passa horas se chamando de incompetente.
Ou reconhece que errou, assume a responsabilidade pelo que aconteceu e tenta entender o que pode fazer diferente da próxima vez.
A segunda opção não significa passar a mão na própria cabeça ou deixar de reconhecer os próprios erros.
Significa não transformar um erro em uma sentença sobre quem você é.
É possível reconhecer que você poderia ter agido de outra maneira sem precisar se destruir por isso.
Para quem passou muitos anos funcionando a partir da cobrança, aprender uma forma mais compreensiva de se tratar pode ser uma parte importante do processo terapêutico.
As relações também influenciam a autoestima
É difícil separar autoestima das relações que construímos.
Quando você passa muito tempo em um relacionamento em que é constantemente criticada, desvalorizada ou levada a acreditar que precisa mudar para ser aceita, isso pode afetar a maneira como passa a enxergar a si mesma.
Mas existe outro ponto importante: às vezes, mesmo percebendo que uma relação não está fazendo bem, estabelecer limites ou se afastar parece muito difícil.
Você pode ter medo de ficar sozinha.
Pode sentir culpa.
Pode pensar que está exagerando.
Pode acreditar que precisa aceitar determinadas coisas para não perder aquela pessoa.
Por isso, trabalhar autoestima em terapia também pode significar olhar para a forma como você se posiciona nas suas relações.
O que você aceita?
O que você evita dizer?
Onde sente que precisa agradar?
Quais limites gostaria de estabelecer, mas ainda não consegue?
Essas perguntas podem revelar muito sobre a maneira como você aprendeu a se relacionar consigo mesma e com os outros.
E, aos poucos, compreender esses padrões pode ajudar você a construir relações em que não precise se diminuir para ser aceita.
Cuidar de si não significa pensar apenas em si
Para algumas pessoas, colocar as próprias necessidades em consideração desperta culpa.
Dizer “não” parece egoísmo.
Descansar parece preguiça.
Pedir ajuda parece fraqueza.
Priorizar algo que deseja parece injusto com alguém.
Só que cuidar de si não significa ignorar as necessidades das outras pessoas. Significa reconhecer que as suas também existem.
Isso pode começar de maneiras pequenas.
Perceber que está cansada antes de chegar ao limite.
Dizer que não pode quando realmente não pode.
Expressar uma necessidade em vez de esperar que alguém perceba sozinho.
Aceitar que você não precisa dar conta de tudo.
E perceber que seu valor não precisa ser constantemente provado por aquilo que você produz, oferece ou faz pelos outros.
Às vezes, cuidar de si começa justamente quando você percebe que passou tanto tempo tentando atender às expectativas de todo mundo que já não sabe mais perguntar o que você mesma precisa.
O que você pode começar a observar no dia a dia?
O processo terapêutico acontece dentro da sessão, mas algumas mudanças também começam a aparecer na vida cotidiana.
Um bom começo é observar a forma como você fala consigo mesma.
Quando algo dá errado, qual é a primeira coisa que você pensa?
Quando alguém elogia você, consegue receber o elogio ou sente imediatamente que precisa diminuí-lo?
Quando olha para outra pessoa nas redes sociais, o que acontece com a forma como enxerga a própria vida?
Quando precisa dizer não, pensa primeiro no que precisa ou imediatamente começa a pensar em como a outra pessoa vai reagir?
Essas situações podem parecer pequenas, mas dizem muito sobre a relação que você construiu consigo mesma.
Você não precisa mudar tudo de uma vez.
Talvez o primeiro passo seja apenas perceber.
Perceber quando se compara.
Perceber quando se cobra.
Perceber quando diz sim querendo dizer não.
Perceber quando transforma um erro em uma crítica sobre quem você é.
Antes de conseguir fazer diferente, você precisa conseguir perceber o que está fazendo. E, às vezes, esse já é um passo importante.
Talvez você perceba, por exemplo, que se cobra por coisas que jamais cobraria de alguém que ama.
E essa percepção pode ser o começo de uma relação mais cuidadosa consigo mesma.
Como escolher uma psicóloga para trabalhar autoestima?
Escolher uma profissional é uma decisão pessoal e merece atenção.
Antes de iniciar o acompanhamento, é importante verificar se a psicóloga possui registro profissional ativo no Conselho Regional de Psicologia e conhecer um pouco sobre sua formação e sua forma de trabalho.
Mas existe também uma questão subjetiva que importa: você precisa se sentir segura para falar sobre aquilo que realmente está vivendo.
A terapia envolve vulnerabilidade. Por isso, encontrar uma profissional com quem exista confiança e respeito é parte importante do processo.
Não existe uma psicóloga perfeita para todas as pessoas.
A profissional adequada para você será aquela cujo trabalho, abordagem e maneira de conduzir a terapia façam sentido para as suas necessidades naquele momento.
Você não precisa esperar se sentir no limite para começar
Talvez você tenha chegado até este texto porque está cansada de se cobrar tanto.
Talvez esteja vivendo uma fase de muitas comparações.
Talvez esteja percebendo que aceita coisas nas suas relações que não gostaria de aceitar.
Ou talvez exista apenas uma sensação difícil de explicar: a de que você sabe reconhecer as qualidades de todo mundo, menos as suas.
A terapia pode ser um espaço para entender de onde isso vem.
Não para transformar você em alguém que nunca duvida de si mesma, nunca erra ou nunca se sente insegura.
Mas para construir, aos poucos, uma relação consigo mesma que não dependa de perfeição para existir.
Porque autoestima não é olhar para si e gostar de tudo.
É conseguir olhar para si com mais honestidade, respeito e compreensão — inclusive nos dias em que você não se sente tão bem consigo mesma.
Você não precisa aprender a gostar de cada parte de si de uma hora para outra.
Talvez o começo seja simplesmente parar de se tratar como alguém que precisa ser consertada.
Conheça meu site!
Me siga também no Instagram